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como acumular milhas

Como acumular milhas sem cartão de crédito: veja como começar

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como acumular milhas

Se você já pesquisou sobre milhas, provavelmente encontrou a mesma cena algumas dezenas de vezes: alguém falando sobre o melhor cartão para acumular pontos, mostrando uma fatura cheia de gastos e explicando como transformar aquele saldo em uma passagem aérea. Para quem ainda não tem um cartão que pontua — ou para quem prefere não concentrar as despesas no crédito — pode ficar a impressão de que viajar com milhas é um jogo reservado para poucos.

Não é.

O cartão de crédito pode, sim, ser uma ferramenta bastante eficiente para acumular pontos, principalmente para quem consegue concentrar os gastos do mês e pagar a fatura integralmente. Mas ele não é a única maneira de entrar nesse universo. É possível acumular milhas sem cartão de crédito, e algumas das estratégias mais interessantes começam justamente fora dele.

Na verdade, antes mesmo de pensar em qual cartão usar, existe uma pergunta mais importante: o que você já faz hoje que poderia gerar pontos? Uma compra pela internet, uma passagem aérea, uma hospedagem ou até uma promoção de um programa de fidelidade podem representar uma oportunidade de acumular. O desafio está menos em gastar mais e muito mais em aprender a fazer melhor aquilo que você já gastaria.

Essa é uma diferença importante para quem está começando. Milhas não deveriam ser um motivo para consumir. Elas deveriam ser uma ferramenta para transformar parte do consumo e das viagens que você já faria em uma oportunidade de viajar mais.

O cartão de crédito não é a única porta de entrada para as milhas

Existe uma razão para os cartões aparecerem tanto nas conversas sobre milhas: eles permitem transformar uma parte significativa dos gastos cotidianos em pontos. Para algumas pessoas, isso representa uma excelente estratégia. Para outras, porém, pode não ser possível ou simplesmente não fazer sentido.

Talvez você não tenha um cartão que ofereça pontuação. Talvez sua renda ou seus gastos ainda não justifiquem uma determinada categoria de cartão. Ou talvez você prefira pagar suas compras de outra maneira. Nada disso significa que você precise abandonar a ideia de viajar usando milhas.

Os programas de fidelidade criaram, ao longo dos anos, diferentes caminhos para o consumidor acumular pontos. Alguns passam pelas compras online, outros pelas viagens, pelos hotéis e por empresas parceiras. Também existem campanhas que oferecem pontuação adicional em determinados períodos, além das famosas promoções de transferência para programas de companhias aéreas.

O que muda, para quem não tem cartão de crédito, é a fonte dos pontos. Em vez de concentrar o acúmulo na fatura, você passa a olhar para outras movimentações que já fazem parte da sua vida.

E essa talvez seja uma maneira interessante de começar, porque obriga o viajante a entender uma coisa que costuma passar despercebida: acumular milhas não é apenas juntar pontos. É saber onde eles estão, quanto custaram e qual será a melhor maneira de utilizá-los.

Suas compras do dia a dia podem ajudar a acumular pontos

Uma das formas mais acessíveis de começar a acumular pontos sem cartão de crédito é prestar atenção às compras que você já faria.

Pense em uma compra maior que esteja planejada para os próximos meses. Pode ser uma mala nova para uma viagem, um celular, um eletrodoméstico, um computador ou qualquer outro produto. Antes de abrir o site da loja e comprar diretamente, vale verificar se existe alguma campanha de pontuação disponível por meio de um programa de fidelidade.

É assim que funcionam muitas das chamadas compras bonificadas. Em determinadas campanhas, lojas parceiras oferecem uma quantidade de pontos por real gasto quando o consumidor acessa a loja pelo caminho indicado pelo programa e cumpre todas as condições estabelecidas.

A pontuação pode mudar bastante de uma campanha para outra. Uma mesma loja pode oferecer uma quantidade relativamente pequena de pontos em um período e uma pontuação muito maior em uma ação promocional. Por isso, quem começa a acompanhar esse mercado percebe que o momento da compra pode fazer diferença.

Mas existe uma regra que considero ainda mais importante: não compre alguma coisa simplesmente porque ela oferece milhas ou pontos.

Se você não precisava daquele produto, o fato de receber pontos não transformou a compra em economia. Você apenas gastou dinheiro para ganhar uma recompensa. A estratégia funciona melhor quando acontece o contrário: você já precisava fazer aquela compra e, antes de pagar, procura uma forma de fazê-la também gerar pontos.

Parece uma diferença pequena, mas é justamente esse tipo de raciocínio que separa o acúmulo estratégico do consumo impulsivo travestido de oportunidade.

Comprar com pontos em mente não significa pagar mais caro

Outro cuidado importante aparece quando uma promoção oferece uma pontuação muito alta.

É fácil olhar para uma campanha que promete milhares de pontos e concluir imediatamente que aquela é uma boa oportunidade. Só que os pontos não existem no vácuo. Eles fazem parte de uma operação que também envolve o preço do produto, as condições de pagamento e o valor que você efetivamente receberá de volta em benefícios.

Imagine que uma loja esteja oferecendo uma pontuação excepcional para determinado produto, mas o mesmo item esteja significativamente mais barato em outro estabelecimento. Dependendo da diferença de preço e do valor que você atribui aos pontos, a compra bonificada pode deixar de ser interessante.

Por isso, o preço continua sendo protagonista.

Antes de pensar na quantidade de pontos que uma compra vai gerar, compare o valor do produto. Depois, confira as regras da campanha, o prazo para crédito e as condições necessárias para receber a pontuação. Só então faz sentido avaliar se aquela oportunidade merece ser aproveitada.

É uma mudança de comportamento simples, mas poderosa: você não começa pela promoção; começa pela compra que realmente precisa fazer.

Quem viaja também pode acumular milhas sem cartão

Existe uma oportunidade que muitas pessoas deixam passar justamente por parecer óbvia demais: os próprios voos.

Os programas de fidelidade das companhias aéreas permitem, de acordo com suas regras, que passageiros acumulem milhas ou pontos em determinados voos. O crédito pode depender da tarifa, da companhia responsável pela operação, da rota, da classe tarifária e de outros critérios, então não existe uma regra única que sirva para todas as passagens.

Ainda assim, antes de viajar, vale conferir se o seu voo é elegível para pontuação e se o seu cadastro no programa está correto.

Para quem não tem cartão de crédito, esse pode ser um dos primeiros passos para começar a construir um saldo. Você não está mudando seus hábitos de consumo nem assumindo uma nova despesa. Está simplesmente aproveitando um benefício relacionado a uma viagem que já iria realizar.

O mesmo raciocínio pode ser levado para outros momentos da viagem. Dependendo do programa e das campanhas vigentes, hotéis, locadoras de veículos e outros serviços ligados ao turismo também podem oferecer oportunidades de acumular pontos.

Quem viaja com frequência começa, aos poucos, a perceber que uma viagem movimenta muito mais dinheiro do que apenas a passagem aérea. E cada uma dessas etapas pode esconder uma oportunidade de fidelidade.

A diferença entre pontos e milhas começa a ficar importante aqui

No início, é comum usar “pontos” e “milhas” como se fossem exatamente a mesma coisa. No cotidiano, até funciona. Mas, conforme você começa a entender melhor esse mercado, essa distinção passa a ser importante.

De maneira simplificada, pontos são normalmente acumulados em programas de recompensas, enquanto as milhas estão associadas principalmente aos programas de fidelidade das companhias aéreas. Em determinadas estratégias, os pontos acumulados em um programa podem ser transferidos para um programa aéreo.

E é justamente nessa transferência que uma das principais oportunidades do universo das milhas aparece.

Os programas podem realizar campanhas oferecendo bônus para quem transfere pontos para determinadas companhias aéreas. Em uma promoção de 80% de bônus, por exemplo, uma transferência de 10 mil pontos poderia resultar em 18 mil milhas, desde que a operação esteja dentro das regras da campanha.

Isso explica por que quem acompanha milhas costuma evitar uma transferência automática. Se você não precisa das milhas imediatamente, pode ser mais interessante esperar uma promoção que aumente o saldo recebido.

Claro que não existe garantia de que uma determinada promoção aparecerá quando você precisar. E também não significa que todo bônus seja vantajoso. O programa de destino, o prazo para utilização, a disponibilidade de passagens e as condições específicas da campanha precisam entrar na conta.

Mas entender essa lógica muda completamente a forma de olhar para os pontos.

Você deixa de pensar apenas em “quanto eu acumulei?” e começa a pensar em “como posso transformar esse saldo em mais milhas?”.

Não tenha pressa para transferir seus pontos

Essa é uma das lições que mais fazem diferença para quem começa a estudar milhas.

Acumular pontos é apenas o primeiro movimento. O segundo é decidir o que fazer com eles.

Se você transfere seus pontos assim que eles entram na conta, pode acabar perdendo a oportunidade de participar de uma campanha de bonificação que apareça algumas semanas depois. Por outro lado, esperar indefinidamente também pode não fazer sentido se você encontrou uma emissão interessante e precisa dos pontos naquele momento.

Não existe uma regra universal.

O melhor momento depende do seu objetivo. Se você já sabe que pretende viajar, tem uma quantidade de pontos acumulada e encontrou uma oportunidade de emissão que faz sentido, a transferência pode ser adequada. Se não existe nenhuma viagem planejada e seu saldo ainda está crescendo, esperar pode ser uma alternativa.

É justamente por isso que acompanhar promoções faz parte da estratégia. Você não precisa participar de todas elas. Precisa aprender a reconhecer aquelas que conversam com o que você pretende fazer.

E os clubes de pontos para quem não tem cartão?

Os clubes de fidelidade também podem entrar na estratégia de quem não utiliza cartão de crédito para acumular pontos. Em troca de uma mensalidade, o participante recebe uma quantidade determinada de pontos e, dependendo do programa, pode ter acesso a benefícios ou condições específicas em promoções.

Mas assinar um clube não deveria ser o primeiro passo de todo iniciante.

Antes de contratar, é importante entender quanto você está pagando por aqueles pontos e, principalmente, o que pretende fazer com eles. Se você não tem uma viagem em vista, não acompanha promoções e ainda não conhece bem o funcionamento do programa, talvez esteja apenas criando uma despesa mensal sem saber como extrair valor dela.

Por outro lado, para alguém que já tem um objetivo definido e sabe aproveitar determinadas campanhas, o clube pode fazer parte de uma estratégia mais ampla.

A pergunta nunca deveria ser simplesmente “quantos pontos eu vou ganhar?”. A pergunta mais interessante é: quanto estou pagando por eles e o que consigo fazer com esse saldo?

Comprar milhas pode ser uma estratégia, mas não para todo mundo

Em algum momento, quem começa a pesquisar sobre milhas também encontra a possibilidade de comprar pontos ou milhas diretamente dos programas.

É importante entender que isso não é a mesma coisa que acumular gratuitamente. Você está, na prática, comprando uma moeda que poderá ser utilizada posteriormente em uma emissão ou outra finalidade prevista pelo programa.

Pode existir situação em que comprar pontos faça sentido, especialmente quando há uma promoção e o custo final da operação é inferior ao valor que você consegue obter na utilização. Mas também existem muitas situações em que a conta simplesmente não fecha.

O erro está em olhar apenas para a quantidade de milhas recebida.

Uma oferta de 50 mil milhas por determinado valor pode parecer excelente até você descobrir quanto está pagando por cada milheiro e quanto custaria a mesma passagem em dinheiro. A análise precisa considerar o custo efetivo da operação e a utilidade que aquelas milhas terão para você.

Por isso, comprar milhas não deveria ser uma estratégia de acúmulo por impulso. É uma ferramenta que pode fazer sentido quando existe uma finalidade clara para o saldo.

O maior erro de quem começa é querer acumular em todos os lugares

Quando alguém descobre que existem dezenas de programas, parceiros e promoções, a reação mais comum é tentar participar de tudo.

Só que acumular pontos em muitos lugares pode criar um problema que só aparece depois: pequenos saldos espalhados por diferentes programas, sem quantidade suficiente para realizar uma emissão interessante.

Imagine uma pessoa que tem alguns milhares de pontos em um programa, outros milhares em outro e um pequeno saldo em uma companhia aérea. No papel, parece que ela está acumulando bastante. Na prática, talvez não tenha pontos suficientes concentrados em nenhum lugar para fazer aquilo que realmente queria: comprar uma passagem.

Por isso, especialmente no início, faz sentido escolher programas que tenham relação com os destinos para os quais você costuma viajar ou pretende viajar. A estratégia pode mudar com o tempo, mas ter um objetivo ajuda a evitar que os pontos se percam pelo caminho.

Milhas não são uma competição para ver quem acumula o maior número. O saldo só ganha valor quando consegue se transformar em alguma coisa.

Então, como começar a acumular milhas sem cartão de crédito?

Se você ainda não tem nenhum cartão que acumula pontos, não precisa esperar para começar.

Comece entendendo quais programas de fidelidade têm utilidade para os seus planos de viagem. Depois, observe as empresas com as quais você já compra e os serviços que costuma contratar. Antes de fazer uma compra maior, procure saber se existe uma campanha de pontuação. Antes de viajar, confira se o voo pode gerar milhas. Antes de transferir pontos, veja se existe alguma promoção que possa aumentar o saldo.

No começo, pode parecer que cada oportunidade é pequena. Algumas compras vão gerar poucos pontos, um voo pode acrescentar outro tanto e uma promoção pode trazer um bônus interessante. Mas o aprendizado acumulado ao longo do tempo é tão importante quanto o saldo.

Você começa a entender quais promoções realmente são boas, quais programas combinam com os seus destinos, quando vale a pena transferir e, principalmente, quando é melhor simplesmente não fazer nada.

Porque uma das habilidades mais importantes no mundo das milhas é justamente saber esperar.

Milhas não precisam começar no cartão. Podem começar na sua próxima viagem.

Existe uma tendência de transformar o universo das milhas em uma disputa por cartões cada vez mais sofisticados, maiores pontuações e saldos impressionantes. Só que essa não precisa ser a porta de entrada de quem quer viajar melhor.

Você pode começar com uma compra que já faria, com uma passagem que já iria comprar ou simplesmente aprendendo a acompanhar os programas de fidelidade que têm relação com os seus planos.

Depois, quando entender melhor o funcionamento desse mercado, outras ferramentas podem fazer sentido. O cartão de crédito pode entrar na estratégia, assim como clubes, transferências bonificadas, compra de pontos e diferentes programas de fidelidade. Mas nenhuma dessas ferramentas precisa ser utilizada simplesmente porque alguém disse que é “a melhor”.

A melhor estratégia é aquela que conversa com a sua realidade, os seus gastos e, principalmente, as viagens que você quer fazer.

No fim, essa é a parte mais interessante das milhas. Elas não são apenas números acumulados em uma conta. São uma forma de olhar para aquilo que você já gasta e encontrar oportunidades que, com planejamento, podem aproximar uma viagem que parecia distante.

E você não precisa esperar ter o cartão perfeito para começar.

Sua próxima viagem pode começar muito antes da compra da passagem.

Leia também o Guia de Milhas para Iniciante aqui!

Avatar de Ingrid Folha | Leve Mundo

Sobre o autor

Olá! Meu nome é Ingrid Folha e sou uma jornalista viajante pelo mundo. Desde 2012 me viajo pelos lugares que a vida me leva. Já conheci 4 continentes com o meu mochilão e agora estou a bordo da Kombi Luz dando uma volta ao Brasil.

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